Voltar

Enxaqueca: Como dizer adeus (ou pelo menos até logo) a essa praga da vida moderna

Postado em 12.21.2020
enxaqueca-cbd-medicinain

O que veremos nesse artigo:

Diferença entre dor de cabeça e enxaqueca

Ao final de um dia longo no trabalho ou depois de uma discussão qualquer, é comum sentir aquela dorzinha de cabeça chata. Você coloca as mãos nas têmporas e faz uma massagem nos dois lados da cabeça. Basta tomar um copo d’água, respirar fundo algumas vezes e o incômodo passa, precisando no máximo recorrer a um comprimidinho de dipirona ou paracetamol.

Essa é a famosa cefaleia tensional, termo usado pela medicina para a “dor de cabeça” comum, que como o próprio nome diz, surge na maioria das vezes de uma situação de tensão. Esse é o tipo mais comum de cefaleia, que praticamente todo mundo já teve, e que apesar de ser um bocado incômoda, não causa grandes problemas.

No entanto, existem mais de 150 tipos de cefaleias diferentes, cada uma com suas próprias características sintomatológicas. E por também ser muito frequente, uma delas é muitas vezes confundida com a cefaleia tensional, embora apresente sintomas bastante distintos: a enxaqueca. 

Características da enxaqueca

Em português, a palavra enxaqueca deriva do árabe as-shakika, nome usado para se referir à hemicrania, ou “dor do meio crânio’’. No grego, temos hêmikranion, que deu origem à palavra francesa “migraigne” que foi emprestada pelo Inglês, onde perdeu o segundo G e até hoje é usada para designar a enxaqueca.

Como a raiz do nome sugere, ao contrário da cefaleia tensional, a enxaqueca afeta apenas um dos lados da cabeça, ora o direito, ora o esquerdo. Mas suas características principais não se resumem a esse ponto, pois estamos falando de uma cefaleia egocêntrica que, para anunciar sua dolorosa chegada, emite impulsos mensageiros chamados pródromos. Apresentados por até 60% dos pacientes dessa doença, os pródromos são uma série de sintomas e alterações fisiológicas que começam algumas horas ou até mesmo dias antes de uma crise mais forte de enxaqueca.

Fases da enxaqueca: estágio inicial

Entre esses sintomas e alterações provocados pelos pródromos, encontramos:

– Maior sensibilidade à luz, som e odores

– Letargia/apatia

– Desejo compulsivo por alimentos específicos

– Alterações mentais como confusão e lentidão de pensamento

– Alterações do humor como depressão, raiva e até mesmo euforia

– Sede excessiva

– Retenção de líquidos

– Perda de apetite

– Constipação intestinal ou diarreia

Vale lembrar que tudo isso pode acontecer antes da crise de enxaqueca em si. Nesse ponto, fica evidente que não estamos falando de uma simples dor de cabeça, e sim de uma condição potencialmente severa que pode exigir cuidados muito bastante específicos.

Fases da enxaqueca: a aura

Quem já tem um diagnóstico de enxaqueca é capaz de sentir a chegada de uma crise através dos pródromos — justamente por isso, a fase inicial também é conhecida como “premonitória”. No entanto, para pacientes com menos informação, esses sintomas podem acabar passando despercebidos, já que são bastante inespecíficos, como vimos na lista acima. Por outro lado, a fase seguinte é bem mais contundente e chega a ser tão conhecida quanto a própria doença: a aura.

Descrita como um conjunto de sintomas neurológicos que alteram o sistema sensorial do paciente, a aura normalmente aparece cerca de 5 a 20 minutos antes da enxaqueca, mas seu incômodo pode durar até 60 minutos e permanecer durante toda a crise de enxaqueca.

Nesse estágio, podem ocorrer sintomas visuais, sensoriais e motores, ou até mesmo uma combinação de todos. Os sintomas mais comuns são alterações visuais como escotomas (a presença de múltiplos pontos brancos e brilhantes na vista), causando visão em túnel e a perda do campo visual devido a bordas cintilantes e às vezes até em zigue-zague.

A enxaqueca com aura é considerada a enxaqueca clássica, e está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, em especial risco de AVC.

Fases da enxaqueca: a crise

Vamos agora à descrição de uma crise de enxaqueca clássica:

  • Dor de cabeça pulsátil ou latejante de intensidade moderada ou severa
  • Início ou piora com atividade física
  • Dor localizada em só um lado da cabeça, mais frequente atrás de dos olhos ou em uma das têmporas, que aumenta progressivamente até ficar difusa
  • Duração de 4 até 72 horas
  • Sensibilidade aumentada para luz e sons altos
  • Podem estar associadas à náuseas em até 80% das vezes, incluindo vômitos
  • Pode ou não ser precedida ou mesmo acompanhada de aura

Causas da enxaqueca

De acordo com a OMS, a enxaqueca afeta cerca de 10% da população mundial, sendo mais comum no continente americano e europeu. A patologia costuma afetar mulheres quatro vezes mais do que homens, segundo alguns estudos. Em paralelo, sabemos também que há um forte fator genético envolvido, com 70% dos pacientes tendo parentes de primeiro e segundo graus que também sofrem com a doença.

Ainda não se sabe ao certo o que causa uma enxaqueca. No entanto, a teoria mais aceita hoje é a neurovascular, que descreve uma crise como um fenômeno que se inicia nos neurônios e causa desdobramentos vasculares associados, levando o cérebro a um estado de inflamação estéril, ou seja, onde o cérebro está tecnicamente saudável, mas se comporta como se estivesse sofrendo com alguma infecção ou trauma — o que torna possível entender porque antiinflamatórios podem ajudar nas crises de enxaqueca.

Um ponto importante para entender as causas da enxaqueca é seu caráter episódico, ou seja, o fato de as crises na maioria das vezes terem um fator desencadeante. O cérebro de uma pessoa com enxaqueca se comporta de maneira muito semelhante ao de um paciente com epilepsia: ambos têm uma hiperexcitabilidade neuronal característica e particular que pode ser disparada por um estímulo específico que leva às suas crises.

Entre esses estímulos responsáveis por desencadear crises de enxaqueca, podemos encontrar:

  • Variações hormonais (principalmente relacionadas ao ciclo menstrual)
  • Gestação
  • Estresse e ansiedade
  • Insônia
  • Algumas medicações (como vasodilatadores, contraceptivos orais)
  • Tabagismo
  • Exposição à luz forte
  • Odores fortes (perfumes, destilados de petróleo etc)
  • Traumas na cabeça
  • Sedentarismo
  • Jejum prolongado
  • Álcool (em especial vinho tinto e cerveja)
  • Café (falta ou excesso de cafeína)
  • Adoçantes artificiais
  • Frutas cítricas
  • Alimentos condimentados e industrializados
  • Queijo envelhecido
  • Embutidos de carne

Como diagnosticar a enxaqueca

Apesar de derrubar o paciente por algumas horas, na maioria das vezes, é possível tratar as crises em casa. No entanto, há casos onde a dor persiste por dias, causando enjoo, vômitos e um incômodo tão agressivo que força o paciente a ir a um hospital para tomar medicamentos intravenosos. E o pior: crises como essas podem se repetir mais de uma vez em um só mês.

Sofrendo com a intensidade e recorrência de sintomas tão desconfortáveis, é comum que muitos pacientes cheguem a um consultório médico pedindo exames complexos como tomografias para chegar à raiz do problema. No entanto, na grande maioria dos casos, basta colher um cuidadoso histórico do paciente e realizar um bom exame físico para fechar um diagnóstico de enxaqueca, reservando exames mais avançados para a investigação de outras doenças potencialmente associadas.

Tratamentos para enxaqueca

Feito o diagnóstico, o tratamento da enxaqueca é dividido em duas partes:

  • Tratamento abortivo
  • Tratamento preventivo

O tratamento abortivo usa medicações que visam o controle imediato da enxaqueca, e a escolha desses medicamentos varia de acordo com o quadro clínico e as comorbidades do paciente em questão. Nessa etapa, é comum o uso de antiinflamatórios, analgésicos, opioides, barbitúricos, corticoides, sumatriptanos e ergotamina. No entanto, vale lembrar que esses medicamentos possuem uma série de contraindicações e efeitos colaterais, sendo seu uso indicado apenas após uma criteriosa avaliação médica.

Quando as crises são muito frequentes, pode ser necessário iniciar um tratamento preventivo, ou seja, usar medicamentos diários para evitar o surgimento de crises futuras. Nesse caso, são usados betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes, bloqueadores de canal de cálcio ou até mesmo toxina botulínica. Assim como as medicações abortivas, também é crucial buscar uma avaliação médica para a indicação e prescrição correta da melhor medicação preventiva, pois cada paciente terá necessidades bastante específicas.

No entanto, mesmo com o uso de tantas medicações e estratégias diferentes, a enxaqueca pode permanecer sem cura. Remissões prolongadas, ou seja, longos períodos sem a doença, podem ser alcançadas quando o tratamento é bem realizado, mas a recorrência das crises é bastante comum.

Após uma primeira crise, mesmo medicados, até 60% dos pacientes voltam a sofrer com outras no futuro. Além da doença em si, é preciso enfrentar o desafio dos efeitos colaterais causados pelas medicações usadas, que podem incluir o aumento no risco de infarto e derrames quando são tomadas sem um criterioso acompanhamento médico.

Cannabis Medicinal no tratamento de enxaqueca

Uma solução que surge, partindo inclusive dos próprios pacientes, é a procura por terapias alternativas para o controle da enxaqueca.

Em 2002, uma pesquisa mostrou que 85% dos pacientes com enxaqueca procuram terapias alternativas, dos quais 60% apresentam melhora. E até 70% desses pacientes não contam aos seus médicos que procuraram outras formas de terapia! Isso reforça infelizmente o preconceito que a medicina tradicional muitas vezes tem com a medicina complementar, que quando bem utilizada, pode trazer muitos benefícios.

Entre os tratamentos alternativos, um dos que mais vêm ganhando terreno nos últimos anos é o uso da Cannabis Medicinal. Dentre os inúmeros princípios ativos presentes na Cannabis, dois se destacam no combate à enxaqueca: o CBD e o THC, ambos com um grande potencial neuro-relaxante, vasodilatador e antiinflamatório. Com o uso da medicação e da dosagem adequadas, estudos mostram que é possível reduzir não só a intensidade quanto a frequência das crises. No entanto, assim como em qualquer tratamento, para chegar a essa combinação ideal de medicamento e dose, é crucial buscar o acompanhamento de médicos especializados.

Como encontrar um médico especializado?

Infelizmente, estima-se que apenas 1% dos 466 mil médicos no Brasil possuem especialização para prescrição de tratamentos com Cannabis Medicinal. Desse total, 42% estão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Felizmente, para resolver esse problema, surgiram nos últimos anos centros de excelência com médicos especializados. Um deles é a Medicina.In, onde você pode realizar consultas on-line em no máximo 48h com médicos especializados com anos de experiência que poderão avaliar seu caso. Para agendar uma consulta, acesse Medicina.In.