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Depressão: como combater esse mal tão pouco compreendido

Postado em 12.14.2020
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Depressão: Como combater esse mal tão pouco compreendido

A importância de desmistificar a depressão

Uma triste cena vem se tornando cada vez mais comum em diversos lares mundo afora: uma pessoa se vê deitada na cama ou largada no sofá, encarando um ponto fixo sem prestar atenção em nada.

O tempo avança devagar no relógio e as obrigações cotidianas vão se acumulando. O dia vira noite e a noite vira dia, enquanto o corpo parece ficar cada vez mais pesado, preso sem conseguir sair do lugar.

A família não entende de onde vem tanta letargia e, junto com essa incompreensão, surgem as brigas. Os amigos acabam desistindo de visitar ou de fazer convites após tantas recusas para um encontro.

E quando um sorriso acaba escapando de toda essa tristeza ele quase não se forma nos lábios tão desacostumados com a alegria e o prazer de viver. A expressão de alegria sai forçada, enferrujada e some rápido, pois ser feliz já parece ser impossível para alguém que sofre de depressão.

Diversas frases dolorosas costumam acompanhar a vida dos pacientes que sofrem desse problema:

“Levanta dessa cama!”
“Sai dessa casa!”
“Reage!”
“Isso é frescura, na minha época não tinha disso não!”
“Psiquiatra? Isso é coisa de doido!”
“Isso é falta de Deus no coração!”
“Isso é falta de coragem”
“Remédio só vicia e vai te deixar pior ainda se tomar”
“Mas você não tem tudo o que quer?! Que história é essa de depressão?”

Assim como qualquer outra patologia, desde uma infecção urinária até um caso de diabetes, que tem suas causas, sintomas e tratamentos, os transtornos psiquiátricos como depressão também têm a mesma dinâmica, mas acabam sendo marginalizados em comparação com outras doenças.

Infelizmente, essas e muitas outras agressões ainda fazem parte da vida dos pacientes de depressão, seja pela falta de conhecimento das pessoas à sua volta, do enorme estigma carregado pelas doenças psiquiátricas ou até mesmo pela ignorância e desatualização de profissionais da saúde. Como é impossível compreender o que não se conhece, a informação sempre será a melhor ferramenta para transformar esse cenário.

A depressão é uma doença que afeta mais de 11 milhões de brasileiros, ou seja, 5,8% da nossa população, enquanto nos EUA, esse índice chega a 7,6%. No mundo todo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, estima-se que 322 milhões de pessoas sofram desse mal.

Apesar de afetar estatisticamente mais mulheres do que homens, em especial dos 25 a 44 anos, a depressão é uma doença “democrática”, atingindo desde crianças até idosos, em especial entre indivíduos mais velhos internados ou portadores de doenças neurodegenerativas associadas como Mal de Parkinson, Alzheimer e sequelas de AVC.

As dificuldades de um diagnóstico

Mas afinal, por que a depressão é tão pouco reconhecida, mesmo afetando tantas pessoas no mundo todo? Em primeiro lugar, seus sintomas iniciais podem ser confundidos com diversas outras doenças, ou até mesmo a dificuldades corriqueiras, como o estresse do dia-a-dia. Entre esses sintomas, podemos citar:

  • Dificuldade para dormir
  • Fraqueza e cansaço
  • Humor abatido
  • Falta de vontade de sair de casa
  • Desinteresse em atividades que antes eram prazerosas
  • Irritabilidade (em especial entre crianças e adolescentes)
  • Diminuição / perda da libido (apetite sexual)

Quando se encontra nesse estágio inicial, o paciente pode acabar buscando soluções práticas como energéticos ou complementos vitamínicos, além de procurar médicos que, por desconhecimento, solicitam exames gerais que não irão encontrar nenhuma anormalidade.

Sintomas avançados

Caso não seja diagnosticada e tratada, a depressão pode evoluir com sintomas mais graves como:

  • Piora crônica do humor
  • Perda total do interesse e prazer na maioria das atividades
  • Insônia ou hipersonia (excesso de sono)
  • Perda ou aumento excessivos do apetite
  • Perda ou ganho excessivos de peso
  • Lentidão do pensamento
  • Falta de concentração
  • Dificuldade para tomar decisões
  • Sentimento de inutilidade
  • Pensamentos recorrentes de morte e ideação suicida

Assim como a hipertensão e o diabetes podem ter graves consequências, como o infarto e o AVC, a depressão tem o suicídio como seu pior e mais frequente desdobramento, sendo diretamente responsável por até 50% dos casos. Por isso mesmo, é vital que pacientes com depressão recebam diagnóstico e tratamento com a maior rapidez possível.

Origens da depressão

Do ponto de vista orgânico, a ciência ainda não conseguiu determinar exatamente quais seriam as causas da depressão. Sabemos que neurotransmissores como a dopamina, glutamato e principalmente a serotonina estão diretamente relacionados à depressão, pois medicamentos que atuam aumentando a disponibilidade da serotonina no cérebro são capazes de atenuar os sintomas depressivos.

Estudos mostram também que pacientes deprimidos possuem menor atividade metabólica em estruturas neocorticais, assim como maior atividade metabólica em estruturas límbicas.

Outro fator já comprovado é a importância da predisposição genética para o surgimento da depressão, com pesquisas mostrando que pessoas com parentesco de primeiro grau com indivíduos depressivos têm 3 vezes mais chance de desenvolver a doença em comparação a pacientes sem histórico na família, o que explica por que pessoas diferentes lidam de forma tão diferente com essa patologia.

Fatores agravantes

No entanto, a genética não é a única responsável, pois como nos Transtornos de Ansiedade, a depressão também sofre grande influência de fatores agravantes derivados do ambiente e da vida do paciente, como:

  • Estresse cotidiano
  • Grandes traumas ou perdas pessoais
  • Dor crônica
  • Fibromialgia
  • Idade avançada
  • Solidão
  • Abandono dos familiares
  • Comorbidades e uso de muitos medicamentos
  • Associação com outras doenças neurológicas e psiquiátricas
  • Momentos de luto
  • Hospitalização prolongada
  • Uso excessivo de álcool e drogas
  • Sedentarismo

Tratamento medicamentoso para depressão

Inicialmente, o tratamento da depressão é realizado com antidepressivos e/ou psicoterapia. É importante salientar que existem diversos transtornos depressivos diferentes, como Transtorno Depressivo Maior,Depressão Atípica, Depressão derivada de transtornos metabólicos e outros, e cada um deles se apresenta de forma distinta, exigindo atenção médica para o diagnóstico correto e tratamento.

Entre as medicações mais usadas, temos os Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRS), Antidepressivos Tricíclicos, Antidepressivos Atípicos e Inibidores da MAO. Entre eles, o destaque fica para os ISRS, como a Sertralina, Fluoxetina e Escitalopram. Esses medicamentos são considerados seguros e eficazes no tratamento da depressão, obtendo melhora dos seus sintomas em até 70 a 80% dos casos quando associados a mudanças de hábitos de vida e acompanhados de psicoterapia. No entanto, eles podem trazer uma série de efeitos adversos como boca seca, alteração do apetite com ganho ou perda de peso, diarreia, redução da libido e disfunção erétil. Na verdade, a maioria dos medicamentos antidepressivos apresenta algum efeito colateral indesejável.

Outro ponto importante a se considerar é que os antidepressivos em geral demoram algumas semanas para fazer efeito, além de exigir um certo ajuste fino: nem sempre médico e paciente chegam à medicação ou dose corretas em sua primeira tentativa.

A somatória de todos esses elementos complicadores, como os efeitos colaterais, a demora de resultados e a necessidade de troca ou ajuste de medicação causa um alto índice de abandono do tratamento que pode chegar a 40%, e isso falando apenas da parte medicamentosa do processo, pois como frisamos acima, é importante também realizar diversas de mudanças nos hábitos de vida, além do acompanhamento psicoterápico em paralelo.

Terapias auxiliares

No campo das terapias auxiliares para o tratamento de depressão, podemos citar a terapia cognitiva, a terapia comportamental e a psicanálise, entre várias outras, cujo objetivo principal é auxiliar o paciente a entender melhor as questões em si mesmo e à sua volta para lidar com elas da melhor forma possível. Cada paciente é único e poderá se adequar melhor a técnicas diferentes, dependendo de seu perfil e necessidade. Porém, assim como as medicações, a terapia também costuma precisar de tempo para surtir o efeito desejado, e seu índice de abandono também é alto.

Em paralelo, outras opções complementares também podem ser muito benéficas, como meditação, fitoterapia, arteterapia, musicoterapia, e outras mais que atuam como poderosos aliados no combate à depressão.

Cannabis medicinal no tratamento contra depressão

Nas últimas décadas, imensos avanços vêm sendo feitos no uso da Cannabis Medicinal para depressão. Sendo uma solução relativamente nova no mercado, é importante desmistificar alguns pontos-chave sobre ela.

Apesar de virem da mesma espécie de planta que produz a maconha, os preparados de Cannabis Medicinal usados no combate à depressão têm uma composição bastante diferente. A maconha, que é comumente fumada, possui quantidades variáveis, porém igualmente altas de dois de seus princípios ativos mais importantes, o CBD e o THC.

Ambos esses elementos têm alto poder sedativo e antidepressivo, com o CBD atuando como analgésico e calmante, enquanto o THC se mostra capaz de alterar a resposta do paciente a situações ou sensações negativas, trabalhando no sistema endocanabinoide cerebral.

No entanto, aqui vemos um claro exemplo de como a diferença entre um remédio e um veneno está na dose: em excesso, o THC pode ter o efeito contrário e disparar crises psicóticas, altamente prejudiciais a pacientes depressivos. Para obter os efeitos desejados, as proporções e a combinação de CBD e THC precisam estar devidamente equilibradas, o que só é possível em preparados medicinais cuidadosamente desenvolvidos para combater a depressão.

Como é um tratamento com Cannabis Medicinal?

O uso dos concentrados de CBD e THC para o tratamento da depressão é feito por meio de tinturas, que são extratos da Cannabis dissolvidos em uma solução de álcool etílico. Algumas gotas por dia podem fazer uma diferença enorme na vida de pacientes que há anos sofrem de ansiedade. No entanto, chegar à dose certa dessas “algumas gotas” não é um processo simples, o que torna crucial o acompanhamento de um profissional experiente no tratamento desse tipo de transtorno com fitocanabinoides que possa fazer uma análise detalhada do paciente para atender às suas necessidades.

Como encontrar um médico especializado?

Infelizmente, estima-se que apenas 1% dos 466 mil médicos no Brasil possuem especialização para prescrição de tratamentos com Cannabis Medicinal. Desse total, 42% estão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Felizmente, para resolver esse problema, surgiram nos últimos anos centros de excelência com médicos especializados. Um deles é a Medicina.In, onde você pode realizar consultas on-line em no máximo 48h com médicos especializados com anos de experiência que poderão avaliar seu caso. Para agendar uma consulta, acesse; www.medicina.in